GUSTAVO

quinta-feira, novembro 06, 2008

TREINAMENTO DESPORTIVO

PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO
A periodização do treinamento não é nova. Desde o período da arte, os gregos utilizavam ciclos de treinamentos de três dias de trabalho por um de recuperação (repouso) a que se chamavam de tetras. Desde a década de 60, os pesquisadores soviéticos, restabeleceram o caráter cíclico do treinamento, através do entendimento e interpretação sobre SAG e stress, onde uma carga de trabalho deverá ser empregado durante o período de supercompensação do organismo, após 2 ou 3 dias de cargas crescentes, se intercala um dia de trabalho menos intenso permitindo uma recuperação metabólica correta. Periodização é o planejamento geral e detalhado do tempo disponível para treinamento de acordo com os objetivos estabelecidos, respeitando-se os princípios científicos do treinamento desportivo.
Os planos de espectativas (planejamento plurianual), podem apresentar-se de duas maneiras:
INDIVIDUALIZADO: Acompanha toda a vida do atleta, antes, durante e depois da sua etapa de performance.
Objetivo: Desenvolver potencialidades (talentos) de um país.
DESPORTIVO: Direcionado ao planejamento de uma modalidade desportiva específica. Foi criado através do plano de expectativa individualizado.
O PLANO DE EXPECTATIVA INDIVIDUALIZADO COMPREENDE 4 ETAPAS:
Etapa de formação básica;
Etapa de especialização;
Etapa de performance; e
Etapa de manutenção.
A) Etapa de formação básica:
Propicia uma preparação física geral às crianças com idade escolar e pré-escolar, dando-se ênfase ao treinamento de coordenação motora, flexibilidade, R.M.L, correção dos vícios posturais, criação de hábitos de higienização e algumas pequenas brincadeiras competitivas.
Idade: 5, 6 / 11 e 12.
B) Etapa de especialização:
Se desenvolve na adolescência onde o jovem é direcionado para uma área de atuação e não modalidade desportiva. O mais importante nesta etapa, é o desenvolvimento orgânico e psicológico, para a futura obtenção de performances máximas.
Idades:
14/17 para homens; e
12/15 para mulheres.
C) Etapa de performance:
Período produtivo na vida do atleta, se tornando especializado numa posição, distância ou estilo. Aumenta também, de forma significativa, a prática competitiva e sua influência na estrutura e conteúdo do treinamento. O atleta é levado aos seus limites extremos e procura alcançar sempre performances crescentes. O atleta infelizmente, têm sua vida condicionado ao treinamento relegando até mesmo os relacionamentos sociais e o lazer. Com isso, a direção fica apontado para a opção da performance.
D) Etapa de manutenção:
É a última etapa na vida do atleta e é caracterizada pela perda da capacidade competitiva e tem um caráter eminentemente higiênico.
Os desequilíbrios homeostáticos realizados durante anos, não se pode de uma hora para outra ser interrompido, pois apenas por si só, o organismo não consegue se reequilibrar. Deve-se também cuidar do aspecto psicológico do atleta. Se esta transição não for bem acompanhada poderá dar origens a traumas e frustrações, comprometendo a qualidade de vida ou até mesmo a saúde mental.
Etapa de formação básica (11-12) Escolas.
Etapa de especialização (14-18) Centros de excelência.
Performance (19-34) Centros olímpicos de treinamentos.
Manutenção (35-40) Clubes e sindicatos.
PLANO DE EXPECTATIVA DESPORTIVO (PED)
Tem por objetivo planificar o treinamento de uma massa crítica de atletas, de uma determinada modalidade, visando alcançar vítórias desportivas, compreendendo períodos entre duas olimpíadas (4 anos); no entanto, pode ocorrer períodos maiores, como exemplo temos Canadá (1969), onde o PED é de sete anos em ginástica olímpica.
MACROCICLO
É uma parte do plano de expectativa desportivo que se compõe dos períodos de treino, competição e recuperação, dentro de uma temporada visando levar o atleta ou equipe a performances desejadas e marcantes.
PEAK
É o ápice da forma física, técnica, tática e psicológica, atingido por um atleta como resultado de um programa de treinamento.
A- MACROCICLO TRADICIONAL
Geralmente este tipo de macrociclo é utilizado por atletas iniciantes, juvenis e pelos de alto rendimento nos anos de Olimpíadas, campeonatos mundiais ou tentativas de recordes.
B- MACROCICLO DE MEETING
Propicia ao atleta a manutenção do nível competitivo por um maior período de tempo, capacitando o atleta a participar de diversos meetings.
OS MACROCICLOS PODEM SER:
ANUAl;
SEMESTRAIS; E
QUADRIMESTRAIS.
É bom salientarmos que a estrutura de um macrociclo se define por número de temporadas (um, dois ou três ciclos de treinamento), não esquecendo de verificar se vai utilizar transições, faixa etária dos atletas, tipo de modalidade ou desporto, lembrando também, das qualidades físicas que serão trabalhadas.
PEAKS
PEAK EXTENSO: Durabilidade de 15 a 45 dias (performance discreta).
PEAK ACENTUADO: Durabilidade de 10 a 15 dias (performance marcante).
SUBDIVISÃO DO MACROCICLO EM PERÍODOS E FASES
A-Período de Pré-preparação: Levantamento dos fatores influenciadores como recursos disponíveis, avaliação dos atletas, mobilização dos recursos.
Anteprojeto de treinamento: Informações necessárias para a montagem do planejamento do treinamento.
Diagnóstico: Realização dos testes técnicos, físicos, psicológicos e médicos dos atletas.
Planejamento: Montagem do programa de treinamento.
B-Período de Preparação: Preparo do atleta a elevação de sua condição competitiva. Este período envolve duas fases onde a predominância das cargas tem uma importância transcedental.
C-Período de Competição: É o que chamamos de polimento do atleta para a competição, onde o objetivo principal neste período é a alta performance.
Nesta fase se torna necessário a diminuição da carga de trabalho de 20% a 30% com o intuito de incrementar a preparação técnica e tática.
D-Período de transição: Proporciona ao atleta uma recuperação física e mental. Servindo para que ocorra uma adequada recuperação metabólica, auxilia no relaxamento do nível de prontidão do sistema nervoso central e evita o surgimento do quadro de inibição reativa.
DIVISÃO DAS FASES
A- MICROCICLO: É a menor fração do processo de treinamento. Combina fase de estímulo e de recuperação, criando condições necessárias para que ocorra o fenômeno de supercompensação. Conjugando três dias de estímulos para um de recuperação, faz com que o microciclo tenha quatro, oito ou doze dias.
De acordo com Zakharov e Gomes (1992), foi relatado a existência de seis tipos de microciclos utilizados no desporto de alto rendimento:
Incorporação
Ordinário
Choque
Recuperação
Pré-competitivo
competitivo
MICROCICLOS
MICROCICLO DE INCORPORAÇÃO
Passagem gradual do atleta de um período de transição para uma realidade de treinamento. Apresenta estímulos não muito fortes.
Cargas: 40%, 50%, 60%, 50%, 60%, 70% e no sétimo dia se dá folga para recuperação metabólica.
MICROCICLO ORDINÁRIO
Induz adaptações orgânicas, capazes de aumentar o nível de condicionamento do atleta. É o tipo de microciclo mais utilizado nos treinamentos. Aplica-se três dias consecutivos de cargas moderadas homogêneas, onde o efeito do treinamento ocorre pela sucessão acumulada de esforços.
Cargas: 70%, 70%, 70%, 60%, 50%, 40% e 20%.
MICROCICLO DE CHOQUE
Só se aplica este microciclo em atletas convenientemente bem preparados, pois é o ápice da aplicação da carga de trabalho dentro de um mesociclo, sendo que este ápice pode ser de volume ou de intensidade.
Cargas: 80%, 90%, 100%, 90%, 80%, 60% e folga para recuperação metabólica.
Cargas: 80%, 90%, 80%, 60%, 90%, 100% e folga para recuperação metabólica.
MICROCICLO DE RECUPERAÇÃO
Permite uma recuperação metabólica através da restauração homeostática, através de estímulos reduzidos e mais dias de repouso.
Cargas: 70%, 40%, 20%, 70%, 40%, 20% e folga para recuperação metabólica.
MICROCICLO PRÉ-COMPETITIVO
Transferência das valências físicas obtidas com o treinamento para as necessidades de performances dentro das competições visadas dentro de uma temporada.
Cargas: 80%, 40%, 100%, 40%, 100%, 40%, 100% para competições duradouras.
Cargas: 80%, 70%, 60%, 50%, 40%, 90%, 100% para competições curtas.
Estes possuem o objetivo de manter o nível de preparação obtido pelo atleta, adaptando o mesmo às condições competitivas, com um baixo volume e uma alta intensidade de trabalho.
MICROCICLO COMPETITIVO
Não possui estrutura pré-determinada.
B-MESOCICLO: O mesociclo dura em torno de três a cinco semanas, porém o mais utilizado é o de quatro semanas por facilitar a estruturação harmônica com o calendário civil.
Um fator interessante é que no microciclo a carga de trabalho tem uma variação menor em relação ao mesociclo que é bem acentuado, onde o grau de variação oscila de acordo com as reações orgânicas (reação ativa, estabilização e reação residual).
Existem sete tipos de mesociclos:
Incorporação
básico
estabilizador
controle
pré-competitivo
competitivo
recuperativo
MESOCICLO DE INCORPORAÇÃO
É utilizado geralmente na periodização da preparação geral, possibilitando passar o atleta da fase de transição para a de treinamento seja para fase básica ou específica.
Cargas: 26%, 28%, 30%, e 16%, sendo inc./ ord./ ord./ rec.
MESOCICLO BÁSICO
É utilizado geralmente na fase básica de treinamento quando o treino visa uma preparação geral do atleta ou na fase específica quando o treinamento é direcionado para a especificidade, propiciando ao atleta uma ótima adaptação fisiológica do organismo.
Cargas: 22%, 28%, 32%, 18%, ord./ ord./ cho./ rec.
Cargas: 28%, 22%, 32%, 18%, ord./ ord./ cho./ rec.
MESOCICLO ESTABILIZADOR
É geralmente utilizado depois do mesociclo básico, onde através de uma boa preparação geral adquirida no mesociclo básico, passa-se agora a estabilização e fixação das modificações obtidas.
Cargas: 25%, 25%, 32%, 18%, ord./ ord./ cho./ rec.
MESOCICLO DE CONTROLE
É utilizado geralmente após o mesociclo estabilizador, objetivando verificar o grau de condicionamento físico adquirido pelo atleta, transferindo apartir deste momento, a natureza do treinamento para a real competição. Os microciclos de choques apresentados no mesociclo de controle tem o intuito de controle e não de desenvolvimento.
Cargas: 30%, 18%, 34%, 18%, cho./ rec./ cho./ rec.
MESOCICLO PRÉ-COMPETITIVO
É geralmente utilizado em competições de grande importância e de preferência por atletas de alto rendimento.
Cargas: 32%, 34%, 20%, 14%, cho./ cho./ rec./ rec.
MESOCICLO COMPETITIVO
É geralmente utilizado quando o período de competição for muito longo (2 a 3 meses).
Cargas: 10%, 90/100%, 10%, 90/100, rec./ comp./ rec./ comp.
MESOCICLO RECUPERATIVO
É geralmente utilizado no período de transição, visando propiciar uma recuperação metabólica e psicológica adequada, porém, devemos evitar uma diminuição acentuada no nível de condição física do atleta.
EXEMPLO NO CONTROLE DA APLICAÇÃO DA CARGA
1º MICROCICLO (INCORPORAÇÃO)
TOTAL DO MICROCICLO:
CORRIDA: 42,5 Km
MUSCULAÇÃO: 19,07 ton.
2º MICROCICLO (ORDINÁRIO)
TOTAL DO MICROCICLO:
CORRIDA: 47,2 Km
MUSCULAÇÃO: 20,0 ton.
3º MICROCICLO (ORDINÁRIO)
TOTAL DO MICROCICLO:
CORRIDA: 47,6 Km
MUSCULAÇÃO: 22,54 ton.
4º MICROCICLO (RECUPERAÇÃO)
TOTAL DO MICROCICLO:
CORRIDA: 26,20Km
MUSCULAÇÃO: 11,73 ton.
TOTAL DO MESOCICLO (100%)
CORRIDA: 163,5 Km
MUSCULAÇÃO: 73,34 ton. (TUBINO, 2003 e DANTAS, 2003)

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